Educação

Mudança no CED 06 de Taguatinga tira ensino médio e EJA e vira caso no MPDFT

Escola de 836 alunos perderia dois turnos para receber a Escola Classe 26 de Setembro, em reorganização prevista para 2027

Neste texto4 tópicos
  1. Quantos alunos estão no meio da conta
  2. Por que o modelo da outra escola entra na discussão
  3. O que já foi protocolado
  4. O que diz o governo

A reorganização que a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) comunicou à comunidade do Centro Educacional 06 de Taguatinga tira do prédio o ensino médio do turno da manhã e a educação especial da tarde. O caso já está no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

A mudança foi avisada às famílias em 14 de setembro e tem efeito previsto para 2027. O motivo declarado é a extinção institucional da Escola Classe 26 de Setembro, que funciona em imóvel alugado que o governo diz precisar devolver. Os alunos da Escola Classe passariam a estudar no CED 06, e para isso as turmas que hoje ocupam os dois turnos precisariam sair.

Tabela com o que muda em cada turno do CED 06 de Taguatinga depois da reorganizacao
Só o turno da noite deve seguir como está, segundo relatos de servidores à imprensa.Arte: Daqui de Brasília

Quantos alunos estão no meio da conta

O CED 06 atende 836 estudantes, segundo dados divulgados pela própria comunidade escolar, e funciona na QNL desde 1974. São 52 anos no mesmo endereço, atendendo também a QNJ e parte da região.

A Secretaria de Educação não divulgou quantos alunos seriam remanejados nem para onde cada turma iria. Duas unidades aparecem nos relatos de servidores e famílias como destino possível: o Centro de Ensino Médio 05, que funciona no modelo cívico-militar, e o Centro Educacional 02, em Taguatinga Sul.

O segundo destino é o que mais preocupa quem trabalha com a EJA Interventiva, modalidade voltada a jovens e adultos da educação especial. Uma professora que participou da mobilização e preferiu não se identificar disse ao Brasil de Fato DF que a direção avisou não haver vaga para todos. "A gente tem estudantes aqui com muita dificuldade de mobilidade. Se forem para o CED 02, em Taguatinga Sul, nem temos certeza da existência das vagas", afirmou.

Por que o modelo da outra escola entra na discussão

Entre as famílias do ensino médio regular, a objeção é outra. Érica Curado, mãe de um estudante do 1º ano, disse que a saída do turno matutino empurra quem não quer escola militarizada para a única alternativa próxima. "Se fecharem essa escola aqui, que não é modelo cívico-militar, nós que não concordamos com o modelo cívico-militar seremos obrigados a ir para o CM 5, sendo que já tem aluno de lá querendo vir para cá", afirmou.

Em 22 de setembro, famílias, estudantes e profissionais fizeram ato em frente à unidade. No mesmo dia, criaram uma frente de defesa da escola e um comitê de crise com representantes de cada segmento. Risalva Cardozo, mãe de dois estudantes, disse que o grupo vai procurar Executivo, Legislativo e Judiciário e cobrar processo administrativo formal para qualquer nucleação de escola na rede.

Tabela com as datas do caso, de 14 de setembro de 2026 ate a vigencia prevista em 2027
Entre o aviso às famílias e a ida ao MPDFT passaram-se três dias.Arte: Daqui de Brasília

O que já foi protocolado

O passo com prazo e número é a representação no MPDFT. O deputado distrital Gabriel Magno (PT), presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Legislativa (CLDF), protocolou em 17 de setembro uma notícia de fato pedindo medidas cautelares para suspender os atos da reorganização.

  • O que o documento pede: suspensão dos atos, acesso ao processo administrativo e aos estudos que fundamentaram a decisão;
  • Quando foi protocolado: 17 de setembro de 2026, no MPDFT;
  • Argumento central: a medida não seria só administrativa ou patrimonial, porque atinge a rotina de centenas de estudantes, famílias e profissionais;
  • Onde acompanhar: Ouvidoria da CLDF, pelo ouvidoria@cl.df.gov.br, das 9h às 19h, e o portal do MPDFT.

O mesmo deputado pediu a audiência pública que a Câmara Legislativa realizou em 25 de setembro. O Daqui de Brasília publicou a ficha completa da audiência sobre a extinção da Escola Classe 26 de Setembro, com o requerimento e os canais de transmissão.

O que diz o governo

A Secretaria de Educação foi procurada duas vezes pelo Brasil de Fato DF, nas reportagens de 15 e de 22 de setembro, e não respondeu em nenhuma delas. O portal do órgão não trazia, até a noite deste sábado, 26, nenhuma nota sobre a reorganização do CED 06 ou sobre a Escola Classe 26 de Setembro: o noticiário do site está sem atualização no período eleitoral.

O Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF) acompanhou a mobilização e cobra manutenção das três ofertas. "Pais, estudantes e professores querem o ensino médio regular pela manhã, a EJA Interventiva à tarde e a EJA no turno da noite", afirmou Alberto Ribeiro, da diretoria do sindicato. A entidade sustenta que o valor pago no aluguel da Escola Classe daria para construir uma escola nova, cálculo que o governo não confirmou.

O ato também reuniu candidatos ao governo e à Câmara Legislativa, entre eles Michel Platini (Psol), Samara Mineiro (UP) e Robson (PSTU), em período de campanha.

Enquanto a reorganização não é suspensa nem confirmada por ato publicado, nada muda no calendário letivo de 2026: as turmas seguem nos mesmos turnos. O próximo marco depende do MPDFT, que pode requisitar o processo administrativo à secretaria, e do que a pasta apresentar como cronograma de transferência. Quem tem filho na unidade deve guardar o comprovante de matrícula atual e acompanhar o comitê de crise da escola. O aluguel de prédio escolar já era assunto antes deste caso: em agosto, a governadora prometeu escolas próprias para acabar com o aluguel de imóveis na rede.

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