Cidades

Enxame de abelhas em casa: quando os bombeiros capturam e quando mandam chamar apicultor

Procedimento do CBMDF atualizado em 2026 separa a emergência do que fica com apicultor. Veja os critérios e o que fazer até a equipe chegar.

Neste texto5 tópicos
  1. Por que os bombeiros voltaram só à noite
  2. O que conta como emergência
  3. O que fazer enquanto a guarnição não chega
  4. Quando a conta é do morador
  5. E se alguém for picado

Se um enxame de abelhas pousar no seu quintal, o Corpo de Bombeiros nem sempre vai capturar. Um procedimento interno atualizado neste ano separa o que é emergência do que o morador precisa resolver com um apicultor habilitado.

A regra está no Procedimento Operacional Padrão "Ações de Controle e Manejo Ambiental de Abelhas e Marimbondos", publicado pelo CBMDF na versão 5.0/2026 e divulgado no Boletim Geral 175/2026. O responsável pelo texto é o Grupamento de Proteção Ambiental, o GPRAM.

O caso mais recente ajuda a entender como a corporação trabalha. Na sexta-feira, 25, por volta das 9h, uma moradora da QNL 20, em Taguatinga, acionou o 193 depois que um enxame de passagem ocupou a residência. Segundo o Metrópoles, que publicou a ocorrência, a guarnição avaliou a cena e programou o retorno para a noite, quando acompanhou a captura feita por um apicultor credenciado. Ninguém ficou ferido.

Tabela com os critérios do CBMDF para atender ocorrência de enxame de abelhas
Os seis cenários que o procedimento separa entre emergencial e não emergencialArte: Daqui de Brasília

Por que os bombeiros voltaram só à noite

Não foi improviso. O POP prevê que, quando não há risco iminente e o manejo pode ser feito de forma controlada, a guarnição explique ao solicitante por telefone ou pessoalmente por que a ocorrência não será concluída naquele momento e retorne em horário mais adequado, "preferencialmente noturno". Com o enxame recolhido e a temperatura menor, a captura é mais segura para todo mundo.

O texto também manda a viatura chegar em silêncio. A orientação é reduzir a velocidade, evitar sirene, barulho e vibração na aproximação e estacionar levando em conta a direção do vento, as rotas de fuga e o fluxo de pessoas. Ruído e vibração são justamente o que dispara o comportamento defensivo das abelhas.

O que conta como emergência

O procedimento lista as situações em que a ocorrência é classificada como emergencial e a guarnição sai na hora: enxame em área de grande concentração de pessoas sem possibilidade de isolamento seguro, colmeia perto do chão em rota obrigatória de passagem, enxame em escola, creche, hospital ou órgão público, e sinais de ataque coletivo, como voo defensivo, cabeçadas e agitação.

A distância de cinco metros é o parâmetro que aparece mais vezes no texto. Enxame a menos de cinco metros de onde as pessoas circulam, com possibilidade de picada, entra como deslocamento imediato. Enxame que permita isolamento acima dessa marca, ou que esteja alto e fora do alcance do público, é classificado como não emergencial.

Quando o despachante não consegue fechar o quadro pelo telefone, o POP manda pedir fotos ou vídeos do local e dos insetos para o número funcional da unidade operacional. Na dúvida técnica sobre o tipo de inseto, o comportamento ou a possibilidade de isolamento, a regra é despachar a viatura assim mesmo.

O que fazer enquanto a guarnição não chega

As orientações que o atendente passa ao solicitante são sempre as mesmas, e valem tanto para o caso com vítima quanto para o sem vítima:

  • Manter distância mínima de cinco metros do enxame.
  • Evitar aproximação, ruídos, odores fortes e vibração perto dos insetos.
  • Manter portas e janelas fechadas.
  • Recolher animais domésticos.
  • Impedir que outras pessoas entrem na área.
  • Manter as luzes apagadas quando a ocorrência for à noite.
  • Esperar a guarnição em local protegido e não tentar a captura por conta própria.

Quando a conta é do morador

Aqui está a parte que costuma surpreender. Se o chefe da guarnição classificar a ocorrência como não emergencial, o POP determina que o solicitante seja orientado a procurar um apicultor habilitado, conforme a Instrução Normativa 141 do Ibama, e informado de que o manejo não é atribuição do CBMDF. O militar que fez a avaliação precisa se identificar e registrar o parecer técnico.

Entram nessa faixa o enxame calmo, o migratório, o recém-aglomerado, o que está alto e sem acesso ao público, os insetos nativos sem ferrão e a colmeia em local sem circulação de pessoas. A ocorrência pode até ser encerrada sem deslocamento de viatura, desde que a decisão fique registrada no sistema.

Quando a equipe atua, a ordem de preferência também vem da norma do Ibama: primeiro captura seguida de soltura, e só depois eliminação direta, "somente quando não houver alternativa segura". A eliminação imediata está prevista para ataque em curso em que o isolamento não garanta a segurança pública.

E se alguém for picado

Com vítima no local, o despachante aciona a Unidade de Resgate junto com a viatura operacional e pergunta o estado da pessoa: consciência, mobilidade, quantidade de picadas e sinais de alergia. As guarnições levam um kit para múltiplas picadas, com removedor de ferrão, luvas, máscara, bolsa de gel frio e material de avaliação primária, como oxímetro e medidor de pressão.

Na ligação para o 193, ajuda ter à mão o endereço exato, a altura aproximada do enxame, o comportamento observado e se há alguém no local para acompanhar a equipe. É a lista que o próprio procedimento manda o atendente perguntar. Quem quiser conferir como a corporação orienta em outra emergência comum na seca de Brasília pode ler o passo a passo de o que fazer quando o fogo em vegetação se aproxima de casa, e o mesmo grupamento ambiental já apareceu por aqui no resgate de uma jiboia em São Sebastião.

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