Agricultura familiar abastece 697 escolas do DF e põe 983 famílias na merenda
Mais de 40 dos cerca de 90 produtos do cardápio vêm do campo; contratos somam R$ 57,2 milhões
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A agricultura familiar já abastece as 697 escolas públicas do Distrito Federal e envolve cerca de 983 famílias de produtores, segundo dados da Agência Brasília, atualizados em 26 de outubro. A merenda da rede serve cerca de 500 mil refeições por dia, e mais de 40 dos aproximadamente 90 produtos do cardápio vêm do campo.
"São 500 mil refeições por dia, é uma estrutura enorme", resume a subsecretária de Apoio às Políticas Educacionais da Secretaria de Educação (SEEDF), Fernanda Mateus.
O que chega às escolas
O Programa de Alimentação Escolar (PAE-DF) compra 39 gêneros convencionais e orgânicos. Entre as frutas estão banana, goiaba, morango, maracujá, tangerina, limão e abacate. Nas verduras e legumes entram abóbora, alface, batata, cenoura, couve, tomate e cebola, além de queijo, manteiga e iogurte. Em 2026, o mel e o filé de tilápia passam a integrar os cardápios, e o tomate-cereja e o quiabo foram incluídos neste ano.
A colheita acontece no fim de semana e a entrega, na segunda-feira. Nutricionistas da SEEDF visitam as escolas periodicamente para avaliar os itens recebidos.
Quanto dinheiro circula
- Mais de R$ 22,7 milhões foram pagos aos grupos formais da agricultura familiar com contratos vigentes, o equivalente a 42,5% do valor repassado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
- A SEEDF comprou mais de R$ 8,6 milhões com recursos próprios do GDF.
- Estão ativos 18 contratos com cooperativas e associações, que somam mais de R$ 57,2 milhões.
A escolha de cada produto passa por um grupo de acompanhamento formado pela SEEDF, pela Secretaria de Agricultura (Seagri-DF) e pela Emater-DF, criado pela Portaria Conjunta nº 9/2020. O grupo verifica se há produtores cadastrados, se a produção dá conta da demanda e se o item cabe no cardápio. Foi esse o caminho do mel: depois de analisar a produção do DF e do Entorno, a Secretaria de Educação lançou a chamada pública e começa a inserir o produto aos poucos.
Como fica na escola
No Centro de Ensino Médio 1 do Guará, que tem 1.175 estudantes de 14 a 17 anos, a diretora Cynara Martins diz que a mudança mais visível foi a variedade. "Agora tem fruta todo dia, fazemos sucos, vem batata-doce", afirma. Antes, segundo ela, uma galinhada levava no máximo um milho. Os produtos chegam às segundas e, se algum item vem com problema, o fornecedor troca na hora.
Para o estudante Adam Brandão, de 17 anos, o resultado é concentração: "A gente sabe que pode comer bem aqui e, assim, se concentrar melhor nos estudos".
Papel da Emater
O presidente da Emater-DF, Cleison Duval, afirma que a empresa orienta o produtor desde a decisão sobre o que plantar até a entrega, ajuda a entender os editais e a organizar a documentação das chamadas públicas. Para ele, muitos produtores começam no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), ganham segurança e depois chegam a outros mercados.
Quem produz no DF ou no Entorno e quer entrar no programa deve procurar a Emater-DF e acompanhar as chamadas públicas da Secretaria de Educação. Outras notícias de serviço para o morador estão em vagas das agências do trabalhador.