Economia

Cinco entidades do DF pedem o BRB fora da disputa eleitoral

Ademi, Asbraco, Codese, Fecomércio-DF e Sinduscon-DF assinam manifesto que pede diálogo institucional e rigor técnico na apuração de irregularidades

Cinco entidades que representam o setor produtivo do Distrito Federal divulgaram na tarde de quinta-feira (17) um manifesto conjunto em defesa do Banco de Brasília. O texto pede "diálogo institucional e cooperação harmoniosa" em torno do BRB e do desenvolvimento da capital, e chega em meio à troca de acusações entre o governo federal e o GDF sobre quem responde pela crise do banco.

Assinam o documento a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do DF (Ademi), a Associação Brasileira de Empreiteiros de Obras Públicas (Asbraco), o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico (Codese), a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-DF) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF).

O que o texto pede

O manifesto não isenta ninguém. As entidades afirmam que a recuperação da instituição "demanda rigor técnico e apuração responsável por parte das autoridades competentes perante eventuais irregularidades" e se dizem dispostas a colaborar para restabelecer a estabilidade do banco. O que elas pedem, na prática, é que a negociação sobre o futuro do BRB não seja conduzida pela lógica da campanha eleitoral.

Os cinco setores representados têm ligação direta com o crédito do banco. Construção civil, mercado imobiliário e empreiteiras de obra pública são clientes históricos do financiamento do BRB no DF, e o comércio depende da linha de capital de giro da instituição. O BRB também opera o crédito consignado do funcionalismo do DF.

Como o assunto chegou até aqui

O manifesto veio depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que não autorizou socorro federal ao banco e atribuir a crise ao ex-governador Ibaneis Rocha e ao empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. A governadora Celina Leão respondeu nas redes sociais e acionou a Comissão de Valores Mobiliários, além de levar o caso ao Supremo Tribunal Federal.

O BRB está no centro de investigações da Polícia Federal sobre a compra de carteiras do Banco Master, e o banco afastou funcionários ligados à operação. A situação também já apareceu nas contas do governo local: o TCDF travou a análise das contas do GDF de 2025 até o banco publicar o balanço.

Para quem mora na cidade, o efeito prático da disputa ainda é indireto: o banco segue operando, com agências e aplicativo funcionando normalmente. O que está em jogo no debate é a capacidade de a instituição continuar financiando obra, comércio e imóvel no DF nos próximos meses, que é exatamente o ponto levantado pelas cinco entidades.

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